Sol forte, céu azul. O Rio sua.
Praia apinhada de barracas. Nua,
passo apressado, você cruza a rua.
Nunca vi um cão tão nu, tão sem nada,
sem pêlo, pele tão avermelhada...
Quem a vê até troca de calçada.
(...)
(Tetas cheias de leite.) Em que favela
você os escondeu, em que ruela,
pra viver sua vida de cadela?
(...)
A piada mais contada hoje em dia
é que os mendigos, em vez de comida,
andam comprando bóias salva-vidas.
Você, no estado em que está, com esses peitos,
jogada no rio, afundava feito
parafuso. Falando sério, o jeito
mesmo é vestir alguma fantasia.
Não dá pra você ficar por aí à
toa com essa cara. Você devia
pôr uma máscara qualquer. Que tal?
Até a quarta-feira, é Carnaval!
(Elizabeth Bishop, 1979)
sábado, 12 de dezembro de 2009
quarta-feira, 11 de novembro de 2009
your past is #FAIL
Percebi uma mudança no discurso do meu analista. Se antes ele perguntava "Você lembra que já fez isso antes, no passado?", agora diz "Tem gente que faz isso". Matuto comigo a lástima gorda desse alguém que fui.
quinta-feira, 30 de julho de 2009
untitled
como num livro do Fitzgerald
, versão popular,
eu caminhei pelo hall
senti no pescoço
um vento gostoso
e o castelo desabou
sobre a minha cabeça
porque era de cartas
, versão popular,
eu caminhei pelo hall
senti no pescoço
um vento gostoso
e o castelo desabou
sobre a minha cabeça
porque era de cartas
sexta-feira, 3 de julho de 2009
a cor dei
eu sei que eu tenho que fazer uma coisa bonita eu sei que tenho acordo sozinha um sorriso besta criança descobrindo jogo uma bomba do 12º andar explodem no ar estrelas ácaros mortos e feridos subvivem vamos fugir do cemitério dos vivos das flores de plástico pra onde se esconde mudo de medo o amor do mundo
segunda-feira, 11 de maio de 2009
algum glamour?
esse prédio está
cheio de rockstars sem fama
constelação
acima de onde ninguém passa
eu passo bem
cheio de rockstars sem fama
constelação
acima de onde ninguém passa
eu passo bem
domingo, 3 de maio de 2009
Henri se Desfaz - Parte 1
Henri desfaz-se da latinha de cerveja num lance suave com o pé que a arremessa para o outro lado da calçada sem ruído. Segue de volta à porta do prédio onde Sofia estava e limpa os dois pés no carpete da entrada. Aperta o botão que alertaria o porteiro. A porta se abre automaticamente.
Henri sobe as escadas de novo. Detem-se diante do apartamento. Gira a maçaneta. Nenhuma tranca ou impedimento.
Henri sobe as escadas de novo. Detem-se diante do apartamento. Gira a maçaneta. Nenhuma tranca ou impedimento.
segunda-feira, 23 de março de 2009
(per)versos
Henri subiu as escadas forte e silencioso, subiu até o sétimo andar. Só havia diante de si agora dois apartamentos. Ele detém-se diante do 701, ofega, prende, suspira. Desce as escadas mais rápido e baixo que subiu, faz que vai acender um cigarro, mas esquece.
Sofia, ainda sentada, olha para o pau dentro da calça, entre as pernas meio abertas, meio cruzadas, duro. O rosto do homem parece impassível. Ele olha apático para Sofia. Não insinua ou age com desdém. Sofia abre a calça, põe o pau dele na boca e chupa.
- Tem gosto de água sanitária, essa merda.
O homem mantém-se blasé, de pau duro. Agora, ele olha Sofia nos olhos. Parece doce, vira-lhe de quatro e enterra tudo de uma vez sem saliva no buraco de cima. Sofia grita.
- I like violence a little bit – ela diz, em inglês.
Henri ouve alguma coisa lá debaixo. Arrasta uma latinha de cerveja com o pé, suja o sapato.
Sofia, ainda sentada, olha para o pau dentro da calça, entre as pernas meio abertas, meio cruzadas, duro. O rosto do homem parece impassível. Ele olha apático para Sofia. Não insinua ou age com desdém. Sofia abre a calça, põe o pau dele na boca e chupa.
- Tem gosto de água sanitária, essa merda.
O homem mantém-se blasé, de pau duro. Agora, ele olha Sofia nos olhos. Parece doce, vira-lhe de quatro e enterra tudo de uma vez sem saliva no buraco de cima. Sofia grita.
- I like violence a little bit – ela diz, em inglês.
Henri ouve alguma coisa lá debaixo. Arrasta uma latinha de cerveja com o pé, suja o sapato.
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