Ele disse não. Henri nunca mais atendeu a um telefonema e, quando o fez, resumiu-se a um basta. Amava Sofia mas não seria capaz de suportar mais de um de seus dias sem tempo, mais um segundo de seu silêncio.
Na última vez que que se viram, Henri e Sofia, ele nem sequer provou de seu sexo, mas, passarinho que é, encheu os alvéolos de ar de professor para falar a Sofia sobre o que ela deveria aprender - o termo fez questão de frisar.
Condenada ao tempo incerto, Sofia obsecava-se sob o cárcere da recente perda. E como chorava. Queria morrer - confessou-me. Eu disse que não. Conjeturei como seria viver a seu lado. Inveja boa.
Sozinha, Sofia tinha hoje os olhos na janela. Nem um centímetro a mais. Seu pensamento sempre foi mais longe.
domingo, 2 de março de 2008
sábado, 16 de fevereiro de 2008
Você me engoliu
Você me engoliu. Você me engoliu e regurgitou um pintinho, ovo que comeu no almoço. Eu estava correndo, correndo, correndo, correndo. Sabe? Em direção à árvore. Você estava atrás da árvore e fugiu. Dizia... “Vem, vem aqui me pegar”. Você não dizia, mas botava a perna pra o lado de fora – da árvore –, tipo teste psicotécnico; a perna e o rosto. Você era a chapeuzinho.
sexta-feira, 15 de fevereiro de 2008
Poema Riscado
me arrisquei
e risco
viro a página
se faz-se
necessário
mas não tranquei
meus desejos
no armário
nem me pergunto
como então
seria
e risco
viro a página
se faz-se
necessário
mas não tranquei
meus desejos
no armário
nem me pergunto
como então
seria
quarta-feira, 13 de fevereiro de 2008
sexta-feira, 1 de fevereiro de 2008
Amor
Cheguei em casa e ela estava se trocando. Toalha à altura do umbigo e uma blusa de malha, fininha, fingindo-lhe cobrir os seios. Sentei à minha cama.
Enquanto se arrumava, Helena mantinha-se de costas por um respeito inviolável a mim. Eu aproveitei para olhar.
Ela tinha as costas fortes e, ainda assim, delicadas. Pensei que essas revoluções não lhe foram de todo o mal.
...
O que sobrou de sua ternura é esse sorriso meio tímido, meio docemente maligno (ele mente), que me chama agora, pra onde eu estou indo? Pra que ternura no século XXI?
...
Enquanto se arrumava, Helena mantinha-se de costas por um respeito inviolável a mim. Eu aproveitei para olhar.
Ela tinha as costas fortes e, ainda assim, delicadas. Pensei que essas revoluções não lhe foram de todo o mal.
...
O que sobrou de sua ternura é esse sorriso meio tímido, meio docemente maligno (ele mente), que me chama agora, pra onde eu estou indo? Pra que ternura no século XXI?
...
terça-feira, 22 de janeiro de 2008
domingo, 20 de janeiro de 2008
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